Arquidiocese de Manaus
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Dom Sergio abençoa a inauguração da Casa de Acolhida Santa Catarina de Sena

“As grandes crises da humanidade, também são oportunidades para grandes atos de generosidade”, assim disse o Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani, durante a inauguração da Casa de Acolhida Santa Catarina de Sena, que recebeu 120 refugiados da Venezuela que viviam em situação de risco em Boa Vista, capital de Roraima e na cidade de Pacaraima. O abrigo, localizado na Área Missionária Santa Catarina de Sena (AMSCS) – Conjunto Jardim Petropolis, foi inaugurado oficialmente na noite desta sexta-feira (04/5), em uma solenidade que, além da presença de Dom Sergio e representantes da Cáritas Arquidiocesana, também contou com a participação do líder provincial do Franciscanos, Frei Francisco Paixão; do pároco Frei Alex Assunção e do representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados(ACNUR), Sebastian Roa.

Durante a solenidade, houve a proclamação da Palavra, em espanhol e português, seguida das boas vindas do Frei Paixão e de Dom Sergio e terminou com o rito da benção, no qual o arcebispo fez uma breve prece e na sequência, abençoou todas as pessoas presentes enquanto a equipe de música entoava várias canções nos dois idiomas. Dom Sergio finalizou a solenidade, fazendo a benção da nova Casa de Acolhida, passeando nos corredores onde foi abençoando todos os cômodos da nova residência dos irmãos venezuelanos. Encerrada a benção, todos foram convidados a lanchar na área externa, onde também puderam apreciar algumas apresentações musicais, como da cantora venezuelana Niurka Rodriguez, que arrancou lágrimas e sorrisos de seus conterrâneos ao interpretar algumas canções de sua terra natal.  

Apesar do aparente cansaço da viagem e de ainda estarem se adaptando à nova realidade, todos apresentavam um brilho de esperança no olhar e a certeza que dias melhores estão por vir. “Eu e todos que estamos aqui, estamos muito agradecidos por esta acolhida, é a primeira vez que vejo algo assim em minha vida, passamos quatro meses em Boa Vista e não fomos recebidos assim. Espero que de agora em diante, nosso povo venezuelano possa caminhar feliz aqui em Manaus”, disse Wiliane Diaz, que chegou ao abrigo junto com seu filhinho. Segundo Frei Alex, esse é um momento muito especial não só para a AMSCS, mas para toda a Arquidiocese e Ordem Franciscana. “Essa Casa vem ser para nós, um marco na nossa evangelização e no nosso serviço a Deus com nossos irmãs e irmãos venezuelanos que hoje estão chegando. É um momento de ação de graças, onde nós só temos a agradecer a Deus por esse caminho que nos aponta e nos leva àquele desejo de servir ao próximo e amar uns aos outros”, disse o pároco.

Para Frei Paixão, a acolhida dos refugiados é um momento de exercitar a nossa capacidade de ser verdadeiramente católico e tratar o seu irmão como seres humanos e não como coitados. “Colocar as instalações de Santa Catarina a serviço dessas pessoas, dessas famílias que estavam em Roraima sem muita expectativa, é um gesto muito simbólico e simples, mas ao mesmo tempo muito profundo e nobre. Que as famílias e outras paroquias aqui de Manaus, possam a partir desse sinal, se sensibilizar e tratar a todos com dignidade, pois eles querem ter o seu direito de ser humano respeitado e não querem viver de esmola”, disse Frei Paixão. Dom Sergio em seu discurso, relembrou que Manaus é uma terra que já recebeu muita gente, entre nordestinos, judeus, árabes, italianos, libaneses, e hoje é o dia de renovar essa tradição de acolher bem e com amor. “É com muita alegria que recebemos nossos irmãos, pois se a crise na Venezuela é grande, aqui a generosidade deve ser maior e por isso vamos recebe-los bem porque um dia acolheram os nossos antepassados que aqui chegaram”, comentou o Arcebispo.

A chegada e a acolhida

Os venezuelanos chegaram por volta das 10h no aeroporto Eduardo Gomes, de lá, 18 pessoas seguiram para a Casa do Migrante João Batista Scalabrine, no bairro de Santo Antônio, e 30 ficaram alojadas na Casa Dom Jacson, no bairro da Glória, os demais foram levados pelo exército até a Casa de Acolhida Santa Catarina, onde chegaram por volta das 11h desta sexta-feira. De acordo com Dina Carmona, Coordenadora da Casa de Acolhida e membro da Cáritas, já há planos para o dia a dia dos refugiados. “É uma grande alegria ter dado esse primeiro passo e fazer a acolhida dos nossos irmãos imigrantes, só temos a agradecer a comunidade e todos os voluntário que trabalharam árduo para isso tudo acontecer. Em nosso cronograma teremos uma oficina para explicar sobre o direito trabalhista, cursos de língua portuguesa; cursos profissionalizantes e outros cursos que possam capacita-los para o mercado de trabalho e dessa forma possam ajuda-los a conseguir uma vida melhor”, explicou Dina.

Segundo Sebastian Roa, o processo de seleção das famílias foi feito por meio de cadastro e mapeamento das pessoas que tinham interesse de sair de Roraima. “O ACNUR está apoiando o exército desde o início e possui sistemas específicos, que contêm todos os perfis dos venezuelanos para analisar o nível de vulnerabilidade das famílias que estão mais precisando e que tem mais condições de se adaptar. A partir do cadastro que realizamos, nós avaliamos as cidades e a qualidade dos abrigos que vão receber e assim nós implementamos as ações necessárias para que as pessoas sejam acolhidas da melhor forma. Aqui em Manaus, nós temos a parceria da Cáritas e da AMSCS, que abraçou a ideia, então o ACNUR preparou a saída dos refugiados, equipou o prédio e fez a implementação interna com funcionários e técnicos, e a Cáritas ficará responsável para que todos os recursos sejam repassados na reativação desse espaço, que no momento conta com 84 pessoas no andar de cima (entre mulheres e crianças) e no andar debaixo 36 homens, todos ligados a um núcleo familiar, não existe homem solteiro aqui”, explicou.  



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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