Arquidiocese de Manaus
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Superação da Violência

Nesta semana os católicos darão início a sua caminhada quaresmal. A liturgia deste tempo recorda o Êxodo, as tentações a que Jesus foi submetido, o caminho do Calvário e convida os fiéis a conversão e a penitência preparando-se assim para a celebração da Páscoa. É um tempo propício para a oração, o jejum e a esmola, como meios privilegiados de crescimento espiritual. Conhecer melhor Jesus para identificar-se com ele, tendo os mesmos sentimentos, atitudes e motivações que ele teve na sua vida terrestre é o grande desejo dos que se dispõem a viver este tempo de graça.

No Brasil é também tempo de Campanha da Fraternidade. Já há mais de meio século a Igreja católica propõem um tema para diálogo com a sociedade. Este é um dos objetivos da Campanha, propor a todos sua visão, seus critérios e valores sugerindo ações concretas para criar fraternidade. Seu objetivo é ecumênico, no melhor sentido, pois se trata de viver bem juntos como irmãos e irmãs filhos do mesmo Pai. E mesmo para quem não tem fé é importante lembrar que a humanidade nos une e as desgraças atingem a todos indiscriminadamente.

Este ano o tema é mais que pertinente. Fraternidade e Superação da Violência é o assunto que será abordado. O método é o de sempre; Ver, Julgar e Agir. O tema é sutil. Não se trata de convencer que a violência existe e que somos uma sociedade extremamente violenta que vive em tempos conturbados. Para isto basta ler os jornais e ver as estatísticas policiais. Talvez tenhamos que chamar a atenção para uma cultura de violência que de tão arraigada se torna invisível. Ela se revela na linguagem e no comportamento e é preciso erradicá-la porque ela justifica comportamentos mórbidos e assassinos. A Campanha quer mostrar caminhos de superação da violência que são possíveis. A humanidade não está condenada a viver num ciclo mortal, mas sua vocação é a paz e a concórdia, pois somos todos irmãos. Esta é a mensagem central do cristianismo.

O Brasil é um país de cultura cristã. Mesmo quem não professa nenhuma religião ou pertence a grupos de religião tradicional de raiz indígena ou africana, comunga com os ideais de igualdade e fraternidade universais. Como explicar então tamanha violência nas relações sociais que tem suas raízes históricas na escravidão e se perpetuam numa economia que gera desigualdade social? Como explicar relações pessoais violentas em função do machismo e do preconceito racial?  E a bandidagem com suas queimas de arquivo com requintes de crueldade que fazem revirar o estomago. Está na hora de perguntar até que ponto a evangelização tem contribuído para a superação da violência.

Às vezes tem-se a impressão que a influência do cristianismo é quase inexistente em termos sociais. Pior ainda quando a linguagem religiosa incita a violência e a intolerância religiosa. Creio que teremos boas discussões, não para nos acusarmos uns aos outros, mas para ousarmos trilhar caminhos novos de reconhecimento e de paz. A paz é possível, os violentos não estão com a razão e Deus não está com eles, só porque são vitoriosos. As aparentes derrotas dos que se recusam usar a violência são de fato a fonte de uma vida nova e de uma nova humanidade.

 

MATÉRIA DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus

JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO

Data de Publicação: 11.02.2018



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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