Arquidiocese de Manaus
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Carnaval

Já faz semanas que o clima de carnaval toma conta dos meios de comunicação e aos poucos vai contagiando a população. As escolas de samba com seus sambas enredo, alegorias, baterias, baianas, comissão de frente, há meses estão preparando-se para desfilar. Blocos de foliões se formam e já começaram a folia. Se o ano no Brasil começa mesmo depois do carnaval, estamos na última semana do ano. A coisa é séria, com implicações econômicas, tal o volume de dinheiro movimentado pela folia, mas também em viagens, hotéis e até casas de retiro para aqueles que aproveitam estes dias para rezar, meditar e refazer a vida num encontro com o transcendente.

O Brasil é conhecido como o país do carnaval. Um amigo francês me dizia que a imagem mais forte do Brasil depois de Pelé é a dos passistas das escolas de samba, sobretudo as mulatas de corpo escultural. Amantes ou não das alegrias carnavalescas elas nos atingem a todos e somos todos envolvidos pela magia do carnaval e também pelo seu lado degradante. Para muitos é tempo de liberação dos instintos, regados a muito álcool e turbinados pelas mais diversas substâncias estupefacientes que dão vazão aos desejos reprimidos. Assiste-se então a espetáculos grotescos que rebaixam o ser humano na sua dignidade. Com todas estas ambiguidades, é difícil se sentir bem nos dias de carnaval, mas é preciso resistir aqueles que roubam a nossa alegria. A alegria de viver precisa de tempos de descontração. A vida pode ser muito dura e nos tirar a capacidade de rir, em primeiro lugar de nossos próprios problemas, de ver como somos ridículos nas nossas pretensões.

É tempo de mostrar as nossas fantasias sem medo e sem preconceito. É criar um ambiente de igualdade em que as diferenças sociais por um momento sejam superadas, mostrando como são superficiais e mentirosas. Na liturgia e na espiritualidade católica o carnaval antecede a quaresma, tempo de jejum e penitência. Já não se leva mais a sério estas divisões do tempo, mas viver o tempo de forma cíclica sempre retornando aos mesmos ritos corresponde ao ciclo da vida. O reinado de Momo torna-se então a despedida da carne, da volúpia e dos prazeres que vivemos constantemente na vida quando a doença, a idade ou problemas financeiros nos atingem. Como seria bom se o carnaval não se degenerasse e fosse uma festa em que todos pudessem participar. Seria um sonho que nem o natal realiza.

Não sei como você vai passar o carnaval. Na Arquidiocese acontecem muitos retiros e acampamentos. O mais tradicional deles é o Maranata, na Arena Amadeu Teixeira. Os participantes são de todas as idades e seguem de sábado até terça-feira palestras, momentos de louvor, celebração de missas. Muitos aproveitam para fazer uma boa confissão. Dê uma passadinha por lá e experimente a alegria de partilhar a fé em Jesus Cristo, a devoção filial à Maria sua mãe e à força do Espírito Santo que ilumina as nossas vidas. Se você for como eu, que curto ficar em casa, dormir até mais tarde, assistir a algum desfile de escola de samba para entrar no clima, colocar as leituras em dia, e rezar um pouco mais, tenhamos um bom carnaval.

DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS

JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO

Data de Publicação: 04.02.2018


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