Arquidiocese de Manaus
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Terra Santa

Se tudo correr bem neste domingo estarei em Israel com os bispos auxiliares e um grupo de padres de nossa Arquidiocese. Viemos até a Terra Santa para fazer um retiro. É a primeira vez que faço esta viagem. Até agora não a tinha feito, apesar das muitas oportunidades. Este ano completo quarenta anos de ordenação presbiteral e vinte de ordenação episcopal. Quarenta é um número presente nas Escrituras. Foram quarenta os anos passados no deserto e quarenta os dias que Jesus retirou-se antes de começar a sua missão. Visitar os lugares onde esteve o Salvador é um dom que nunca imaginava que teria. Refazer os passos de Jesus a quem tenho procurado seguir é realmente um privilégio. A encarnação do Verbo é um fato histórico e os evangelhos não são contos de fadas, embora estes contos também contenham sua verdade. Os fatos narrados nos Evangelhos também são geograficamente reconhecíveis. E os lugares continuam lá onde aconteceu o grande drama do Amor que não foi amado, e que vencendo as trevas, ressuscitou. Meu lema episcopal lembra o mistério da encarnação. A encarnação supõem um território, um povo, uma nação, uma história. Só pode se tornar universal o que tem um lugar no espaço e no tempo. É como um sonho poder olhar o mesmo horizonte visto por Jesus.

Um outro aspecto desta viagem é que é uma romaria. Mesmo que o lado turístico do evento seja evidente, nos dias que antecederam a viagem, várias vezes me surpreendi rezando os salmos que cantam a subida à Jerusalém, à cidade que exprime a presença de Deus na história e que por isso mesmo dá a todos o direito de cidadania. Desde que me entendo por gente vejo imagens da Terra Santa e a sensação de que não é a primeira vez que visito os lugares sagrados é muito grande. Em todo caso estes dias são de contemplação e de oração. Agradeço aos que me transmitiram a fé e aos que a vivem cada dia, permitindo que a vida seja impregnada pela sua força. Peço perdão pelas minhas faltas e reconheço a minha indignidade para o ministério que me foi confiado. Intercedo pelos amigos e irmãos de caminhada, pelos que sofrem, pelos que deixaram a Igreja, decepcionados com ela.

Fiz questão de ir a Israel com um grupo de padres e com meus irmãos bispos. O ministério presbiteral, e também o episcopal é radicalmente comunitário e colegial. O exercício do ministério supõe a comunhão afetiva e efetiva entre os ministros. E se existe uma unidade no fazer, muito maior e mais importante é a unidade no ser e esta unidade cresce no cenáculo onde a oração comum fortalece os vínculos e traz a paz. Sou grato aos bispos e padres que aceitaram o convite pois necessito da amizade de cada um.

Em breve estaremos iniciando o tempo quaresmal. Neste tempo queremos conhecer melhor Jesus. Este é o meu desejo neste tempo jubilar. Quanto mais o tempo passa, mais perto estamos de vê-lo face a face. Durante estes quarenta anos tantas vezes fui surpreendido por ele, pois quando pensava tê-lo encontrado, uma outra face do mistério se revelava. Aguardo as surpresas desta viagem e as coisas novas que vou descobrir daquele que é a única verdade absoluta da minha vida: Jesus.

MATÉRIA DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS

JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO

Data de Publicação: 28.01.2018

 



Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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