Arquidiocese de Manaus
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O nome

Gosto de celebrar o sacramento do Crisma. A Assembleia é numerosa e participativa. Aos familiares dos crismandos, juntam-se as principais lideranças da comunidade. Os padrinhos e madrinhas acompanham seus afilhados compenetrados e felizes por terem sido escolhidos como testemunhas do sacramento da maturidade cristã. Coroinhas, acólitos, turiferários, mitriferos e cerimoniários estão todos a postos com suas vestes talares encarnadas e pretas e suas sobrepelizes alvas e bem passadas. O bispo também usa todos os arreios episcopais a que tem direito. Mas o foco das atenções está naqueles que serão confirmados. A beleza própria da idade se junta à alegria dos ritos de passagem. A maioria deles é composta por adolescentes que se encantam com a vida comum, com novas amizades e com os ideais da vida cristã. São o futuro da Igreja, mas antes de tudo são o seu presente.

A liturgia é sempre bem preparada e os rituais impressionam. Quando com as velas acesas nas mãos renovam as promessas do batismo renunciando a satanás e aderindo a Jesus manifestam o desejo de seguir o Cristo e de pertencer a sua igreja, como apóstolos enviados ao mundo para anunciar com a palavra e com a vida que o Reino já chegou. Nem todos perseveram nestes santos propósitos, mas em todos foi semeada a presença do Espírito que faz maravilhas e, conservando acesa a chama do Amor, fará a graça frutificar no devido tempo.

No clima criado pelas palavras e pelo som dos hinos que invocam o Espírito há um momento mágico e inesquecível para mim. Quando o crismando se aproxima do bispo para ser ungido, com o padrinho colocando a sua mão sobre o seu ombro, leio o seu nome, em geral escrito num crachá, antes de dizer as palavras sacramentais. Neste momento ao ouvir seu nome os que estão nervosos se acalmam, os agitados se tranquilizam e em quase todos brota um sorriso belíssimo cheio de cumplicidade como que dizendo, sou eu mesmo e expressando toda a felicidade de uma vida consagrada pelo Espírito de Deus. Ter um nome significa pertença pois o nome nos é dado por alguém e reconhecido pela família e pela sociedade. E ao aceitar o seu registro também o Estado me faz um cidadão.

Há nomes que exprimem uma missão como foi o de Jesus. Há nomes que homenageiam os pais, os avós ou parentes e amigos e trazem embutidos o desejo de que o portador do nome seja também um digno descendente do homenageado, herdando do mesmo as qualidades. Há aqueles que exprimem beleza e sonho, com os nomes de flores, ou o desejo de força e vigor como o dos leões. Mas uma vez dado o nome ele se torna único mesmo que seja o da moda do momento. Nomes difíceis e esquisitos se tornam melodiosos e ternos como seus portadores. O nome é tão importante que ninguém tem o direito de manchar o bom nome de quem quer que seja. O nome exprime o que somos e quem somos. Por isso gostamos de ser chamados pelo nome, e assim termos reconhecida a nossa individualidade. Somos próximos, mas somos únicos. Parecidos, mas não iguais. No momento que o Espírito vem para consagrar-nos somos envolvidos pelo Amor que confirma nossa identidade mais profunda, que é ser morada da Divindade.

 

MATÉRIA DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – ARCEBISPO METROPOLITANO DE MANAUS

JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO

Data de Publicação: 15.10.2017


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