Arquidiocese de Manaus
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É Natal

Impossível deixar de falar de Natal, quando tudo e todos ao nosso redor ganham um colorido diferente que traz esperança, nos torna mais solidários e alimenta no nosso coração o desejo e a certeza da paz. Antigamente era mais fácil recordar os natais. Hoje, já vivi tantos e em tão diferentes lugares, que só alguns vão ficando na memória. Quando bispo de Tefé fiz questão de passar o natal em todas as cidades da Prelazia e nos dez primeiros anos assim o fiz. Minha vida missionária já me havia levado a viver natais na Nigéria, no Gabão, no Paraguai e em Roma. Recordo também meus primeiros natais como padre em Feijó, no Acre.

Antes destas andanças todas vivi a preparação das festas de fim de ano com a minha família. Em todos os lugares é tempo de comer bem. Festa é comida farta e carne em abundância. Uma fartura que leva a solidariedade. As festas mais bonitas são as comunitárias. Fim de ano é em todo lugar tempo de encontros familiares. Ninguém se importa de viajar em barcos apinhados de gente, de enfrentar congestionamentos nas estradas, multidões nos aeroportos e rodoviárias. O importante é chegar a tempo de cear com a família, trocar presentes e reforçar os laços de amor que afinal é o que vale na vida. É um tempo de luz. De alguma forma a escuridão é vencida e as trevas dominadas. Mesmo que o comércio tenha se apropriado do natal, o que é compreensível, o espirito natalino continua vivo porque responde as grandes aspirações humanas.

O Deus menino, deitado numa manjedoura e envolto em panos continua a confirmar a esperança num mundo de paz e de fraternidade. Um Deus humano traz dignidade a todos. O Natal era uma festa pagã, ligada ao solstício do inverno no hemisfério norte. Quando a liturgia cristã quis celebrar o nascimento de Jesus, o Sol nascente que nos veio visitar, não teve dúvidas e adotou o vinte e cinco de dezembro como o dia do nascimento do Salvador. O mistério da encarnação do Verbo é central para a fé e é o que nos identifica. Jesus de Nazaré é o messias, mas superou todas as expectativas, porque ele é o próprio Deus que se faz plenamente humano. A partir da encarnação há um caminho que é o tornar-se cada vez mais humanos, por isso a fé não está em contradição com a ciência, mas exige rigor cada vez maior dela para que se chegue cada vez mais perto da verdade.

O mistério nos mostra que há uma verdade revelada, e um conhecimento que precede o raciocínio. Os rituais nos fazem viver uma vida maior que a vida, que entra na história e lhe dá sentido. Eles nos fazem reviver o jeito de Deus que nasceu pobre no meio dos pobres. Mesmo os natais ricos e fartos tem esta perspectiva quando guardam alguma ligação com os símbolos e a narrativa cristã. Mas ir ao encontro dos pobres como fizeram os magos é o caminho mais seguro para encontrar Jesus. Uma das minhas noites de natal eu passei no norte da Nigéria num hospital administrado pelas filhas da Caridade, as mesmas da nossa Casa da Criança. Foi inesquecível. Só me resta desejar um Feliz Natal a todos e que a luz consiga iluminar a escuridão anunciando a paz e a fraternidade.

 

ARTIGO DE D. SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 24.12.2017



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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