Arquidiocese de Manaus
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Leigos e leigas

Terminamos hoje o ano litúrgico que teve início no primeiro domingo do Advento do ano passado. Este ciclo anual se encerra com a festa de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. Para o cristão a realidade é Cristo, pois fomos criados pela Palavra que é Ele, e redimidos pelo seu sangue. Nele subsistimos e somos. Ele é a luz que ilumina a nossa vida e fora dele reinam as trevas. Esta realidade é vivida e encontrada nos encontros humanos, porque este foi o caminho escolhido por Deus para se dar a conhecer. Só encontramos Deus se encontrarmos as pessoas humanas com suas histórias, suas limitações, mas também seus sonhos e grandezas. Por isso, no Evangelho de hoje Jesus diz que no julgamento final os justos ouvirão: eu estava com fome e me destes de comer, estava nu e me vestistes, era estrangeiro e me acolhestes, estava doente e prisioneiro e me fostes visitar. E eles nem sabiam disto.

Tomar consciência de que é na vida de cada dia, nas relações familiares, no exercício de uma profissão, na participação política que se dá o encontro com Deus talvez seja o primeiro e mais importante fruto, a ser esperado, do ano do laicato que começa hoje. A vida do leigo é de fato uma vida a ser vivida na graça, a graça do batismo. Chamados a dar testemunho de sua fé vivendo a vida nova em Cristo, leigos e leigas são sujeitos eclesiais e cidadãos do mundo, com uma vocação que lhes é própria. Não são simples colaboradores dos clérigos, mas exercem seu apostolado como decorrência da consagração batismal, da unção do crisma e da participação na Eucaristia.

Se a família é o primeiro campo de apostolado laical e consequentemente o sacramento do matrimônio sua vocação natural, é no campo da política que os leigos e as leigas tem um lugar especial. Fazer política é buscar o poder para servir e transformar. Se hoje a política se transformou na luta pelo poder para adquirir vantagens nem sempre de forma licita, é preciso ter coragem de mudar e a reforma só se dará por políticos que tenham ética, isto é, que visem o bem de todos. Não se trata de montar bancadas católicas para defender os interesses da Igreja, ou a sua moral, pois isto seria um desastre. Necessitamos de uma revolução eleitoral pois afinal os políticos são eleitos por nós.

No trabalho passamos a maior parte de nossa vida. Um dos segredos de uma vida feliz é encontrar uma profissão que possa realizar a pessoa. O cristão deve ser um profissional exemplar, que faça a diferença. Sobretudo os que exercem funções públicas, não só os que estão em cargos eletivos, mas todo funcionário público deve viver a sua função em favor da sociedade.

Leigos e leigas também atuam em âmbito eclesial. São catequistas, músicos, administradores, dirigem celebrações, levam a Eucaristia aos doentes, batizam, testemunham matrimônios. Os cristão são chamados a ser gente que realiza a sua humanidade tecendo relações humanas que possibilitem também aos outros humanizar-se. Não é se afastando da humanidade que nos transcendemos, mas assumindo-a radicalmente. Esta é a vocação de todo batizado porque foi a vocação do próprio Jesus.

ARTIGO DE D. SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 26.11.2017


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