Arquidiocese de Manaus
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Verde amarelo azul e branco

São as cores de nossa bandeira. Assim aprendi na escola primária. E a professora acrescentava; o verde das matas, o azul do céu, o amarelo das riquezas e o branco da paz. Me lembro destes bons tempos quando nas cerimônias militares a bandeira do Brasil é conduzida com o máximo de reverência e saudada pelo militar de mais alta patente presente no evento. Por trás do gesto está um amor reverencial a pátria. Somos filhos dela, pois ela nos precede. Somos brasileiros não por opção mas porque aqui nascemos, e todos que aqui nascem ganham a cidadania, não importando a origem. Fiquei muito admirado quando já adulto descobri quem não é assim em todos os países, pois há lugares que não importa o ter nascido ali, você tem a cidadania dos genitores.

Está na moda falar mal de nossas instituições e isso é ruim porque a pátria não existe em estado puro mas ela toma corpo na Nação e no Estado. Infelizmente há muitas razões para isto. Mas a pátria tem condições para reagir e quando vemos jovens que veem o serviço público como missão em prol da justiça e da moralidade sabemos que podemos acreditar no Brasil com b maiúsculo e com s. Neste Brasil não há lugar para racismo, pois a nossa maior riqueza e beleza está na pluralidade de nossas etnias e na mistura delas. O mesmo se diga do pluralismo religioso que nos torna únicos. Nada mais odioso que a perseguição religiosa sobretudo quando feita em nome de Jesus. Não tolerar o diferente é uma manifestação mórbida de problemas com a própria identidade mal resolvida, que pode levar a atitudes criminosas. Ai entra o Estado com o seu poder de polícia, como defensor das garantias individuais.

Mas antes de ser uma questão de segurança pública a intolerância religiosa é uma questão teológica e pastoral. O discurso intolerante levará a atitudes de intolerância. O que se vê é a covardia de líderes religiosos que depois de incitarem os fiéis se escondem ou se eximem de toda responsabilidade. Hoje também se manifesta o ódio a religião e aos seus símbolos mais sagrados. Um mundo estranho que vai sendo gestado nas entranhas de uma sociedade doente. Felizmente a maioria das pessoas ainda guarda o equilíbrio buscando a felicidade em uma vida normal, onde todos tem o seu lugar e são reconhecidos, admirados e amados. O outro não é visto como ameaça mas como riqueza. Hoje dia da bandeira é também dia nacional de combate ao racismo. Coincidentemente também é dia mundial em memória as vítimas do trânsito. Quantas vezes o trânsito é palco do desrespeito a vida, quando motoristas infantis insistem em dirigir perigosamente numa auto afirmação criminosa.

Depois de dois mil anos de pregação cristã é difícil entender como ainda persiste a violência religiosa. O Brasil cristão poderia dar ao mundo um exemplo. Infelizmente parece que caminhamos no sentido contrário. Amanhã, dia da consciência negra, é dia de nos alegrarmos com a negritude que quando não está na nossa pele está na nossa alma pelo simples fato de sermos brasileiros. E como é bom ser brasileiro.

ARTIGO DE D. SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL: AMAZONAS EM TEMPO
Data de Publicação: 19.11.2017



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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