Arquidiocese de Manaus
Arquidiocese de Manaus

Pe. Humberto

Neste domingo será ordenado mais um presbítero para a Igreja de Manaus. Toda a Arquidiocese se alegra por mais um padre. Na Igreja católica o ministério presbiteral é essencial. Os ministros ordenados para o sacerdócio são os que presidem a Eucaristia, que é a fonte e a meta da vida da Igreja, enquanto faz memória do mistério pascal. Ao mesmo tempo em que se renova o sacrifício da cruz, o Senhor está realmente presente nas espécies de pão e vinho. Ela é tão importante e fundamental que a Igreja exige para a sua validade o cumprimento estrito do ritual, e que aquele que preside tenha sido ordenado para tanto. Os outros sacramentos reservados aos presbíteros são a unção dos enfermos e a reconciliação. Sem perdão ninguém vive e o perdão sacramental é necessário para a vida pessoal mas sobretudo comunitária. Somente pessoas libertadas do pecado poderão formar verdadeiras comunidades que sejam igreja de Jesus Cristo.

As condições para ser ordenado presbítero mudaram muito através dos séculos e com certeza ainda vão mudar, pois a caridade pastoral e a missão levam a mudanças inimagináveis. Tudo que é humano é passageiro e passível de reformas. Nada mais divino na ordem da graça que os sacramentos, mas nada mais humano também. Os sacramentos são a graça entregue a mãos humanas e a matéria. Para ser válido todo sacramento precisa de um celebrante. O Humberto preenche todos os requisitos para ser ordenado. Como formação intelectual estudou filosofia e teologia durante mais de sete anos. A teologia fez no Chile. Originário de Manaus, fez os estudos básicos em escolas da capital amazonense.

Sua trajetória eclesial começou no Beco do Macedo, onde passou a infância e se completou na Área Missionária Santa Catarina de Sena. Neste tempo teve a influência de dois grandes sacerdotes da Arquidiocese, o Pe. Pedro Gabriel e o Pe. Martin. Sua caminhada vocacional o levou a fazer a experiência da vida religiosa em duas congregações.  Há algum tempo voltou para a sua terra onde completou os estudos teológicos, cresceu na comunhão com o clero local do qual fará parte, foi ordenado diácono, e exerceu atividades pastorais. Por ocasião da sua ordenação diaconal ele prometeu viver no celibato, condição para ser padre na igreja romana.

Ultimamente a saúde psíquica dos padres tem ocupado as páginas de jornais e feito barulho na mídia. Não é fácil viver totalmente para os outros. Solidão, frustrações, perda de sentido fazem parte da vida de seres humanos, e são até necessárias para se chegar a um amadurecimento pessoal. Um alerta que nos lembra que é preciso cuidar dos cuidadores. O povo intui isto e trata muito bem os seus padres. Mas o mais importante na vida de um padre é a sua intimidade com o Senhor por quem ele está dando a vida. A amizade com o Cristo deve ocupar todos os espaços de sua existência. Não é necessário ser um super homem, muito pelo contrário, é preciso ser cada vez mais humano tendo consciência de que não é padre sozinho, mas faz parte de uma ordem, a ordem sacerdotal.

MATÉRIA DE DOM SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
Publicado no Jornal Em Tempo, em 15.10.2017


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