Arquidiocese de Manaus
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Roda de Conversa trata dos novos fluxos migratórios e de especificidades da nova lei de migração

Oportunizar um espaço de discussão em torno da temática dos novos fluxos migratórios na fronteira norte, os impactos sociais e culturais dessa migração e enfatizar os direitos dos migrantes garantidos na nova lei de migração. Este foi o objetivo da Roda de Conversa sobre novos fluxos migratórios e de especificidades da nova lei de migrações realizada na manhã do dia 21 de agosto, nas dependências do Colégio Preciosíssimo Sangue. Foram convidados a participar os agentes e voluntários da Pastoral dos Migrantes, leigos scalabrinianos, pastorais sociais, Cáritas, secretaria de governo, coordenação nacional do Serviço Pastoral dos  Migrantes e instituições envolvidas na temática.

Dos palestrantes estiveram a Prof Dra Marcia Oliveira, da Universidade Federal de Rondônia (Unir), que explicou sobre os novos fluxos migrantes no Brasil, na fronteira norte, além de destacar algumas especificidades culturais de alguns migrantes. O Professor Dr. Sidney Silva, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), tratou de especificidades da nova lei de migração: direitos garantidos. Destacou como preocupação o processo de regulamentação da lei e que o judiciário, que precisa colocar em prática e fazer cumprir o que se estabeleceu.

O bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, esteve presente no evento destacou a importância de se realizar esse evento de partilha e reflexão sobre a migração. “Estamos celebrando os 25 anos da Pastoral do Migrante em Manaus e com a presença da coordenação nacional aproveitamos para fazer esse momento da Roda de Conversa para colocar a situação migratória, de refúgio e também de tráfico de pessoas ocorrido nos últimos meses e também para pensar como que a Pastoral está atualmente.  A gente conta com a presença de acadêmicos para nos ajudar na reflexão, mas também com aqueles que estão no dia a dia e os próprios migrantes participam desse momento de partilha. Isso nos fortalece na missão do cotidiano de acompanhar os diversos grupos e o fluxo migratório”, afirmou

Sobre a lei de migração, Dom José Luiz acredita, mesmo diante dos avanços, os agentes envolvidos precisam estar atentos a alguns pontos. “A lei teve uns avanços, alguns vetos, mas agora o problema é  regulamentar a lei e é importante acompanhar o processo”, enfatizou.

Selene Herculano, secretária do Centro de Migrações e Direitos Humanos (CMDH), na Diocese de Roraima, falou um pouco dos desafios no acompanhamento dos venezuelanos que lá chegam, principalmente os indígenas. Ela afirmou que o fluxo de atendimento aos venezuelanos aumentou em outubro de 2016, e logo se percebeu o aglomerado de pessoas e Pacaraima foi a cidade que mais afetada, pois por não haver hoteis as pessoas ficaram nas ruas e área aberta da Rodoviária.  Em março, fez-se um cadastro que sinalizou a existência de cerca de 100 famílias e estas foram auxiliadas no processo de documentação e pela dificuldade de deslocamento desses migrantes para Boa Vista, a secretaria conseguiu dentro da polícia federal uma sala de atendimento para preencher os formulários de refúgio e tirar fotos gratuitamente. Segundo ela, há também outros avanços junto à Prefeitura de Boa Vista, que abriu a porta das escolas para as crianças, sendo matriculadas mais de 500 no primário. Outra situação é que mais de 500 indígenas estão abrigados em um ginásio, espaço provisório e não é adequado, além de não terem alimentação suficiente.

Roberto Saraiva, da coordenação nacional, encerrou o evento destacando que há muitos desafios o que exige ainda que os envolvidos se debrucem no debate para pensar estratégias e assumir papeis para dar continuidade na luta em apoio ao imigrante. “Uma preocupação é que as vezes nos homogeneizamos os estrangeiros, sem procurar saber de onde ele vem, qual seu território, o motivo de ter migrado, e na hora da acolhida queremos colocar grupos étnicos diferentes na mesma casa, gerando conflitos, e isso não é um bom atendimento. É preciso investigar sobre esses povos e conhecer suas identidades, sua antropologia. Isso é muito mais desafiador para o trabalho, mas precisa ser feito. Precisamos desconstruir isso de olhar todos da mesma forma, como se fossem iguais. Se fizermos isso já teremos um bom avanço. Saimos  daqui com a esperança de que possamos repensar todas essas informações e tentar encontrar novos caminhos”, destacou.

 

 

 

 

 

 

 

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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