Arquidiocese de Manaus
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A cátedra vazia

Quem vai à Itacoatiara não pode deixar de notar a belíssima Igreja dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Se já era bonita e imponente, ficou muito mais bela depois da reforma feita por Dom Carilo Gritti, bispo e arquiteto, morto há pouco mais de um ano. Homem de personalidade forte e de uma fidelidade a toda prova, conseguiu exprimir arquitetonicamente estas duas virtudes quando conservou a antiga Igreja e ao mesmo tempo fez uma nova. É esta a sensação que se tem ao entrar no majestoso templo. É a mesma Igreja, mas é também uma outra. Coisa de artista.

Um dos elementos que atrai no edifício é o destaque dado a cátedra. Quem entra, logo percebe que está numa catedral, lugar da cadeira onde se senta o bispo, que deste ponto exerce a missão de ensinar, governar e santificar. Em algumas ocasiões, na Igreja Catedral, o bispo reúne-se com os presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas e todo o Povo de Deus. Aí está presente o corpo de Cristo, obra do Espírito Santo para a glória do Pai. A quinta-feira santa é um destes dias, que a Igreja se reúne para a missa do Crisma. Ordenações também são ocasião de tais encontros. De um ano para cá celebrei três vezes na Catedral de Itacoatiara, a missa das exéquias de Dom Carilo, a sua missa de sétimo dia e a missa do Crisma deste ano. A cátedra estava vazia. Depois que ele adoeceu e veio a falecer ninguém mais sentou-se na imponente cadeira do lado esquerdo do altar.

A vida da igreja não parou. Mas sem um bispo que a presidisse. Cada vez que me encontrava com pessoas de lá era perguntado sobre quando receberiam um novo pastor. E este pastor foi esperado na fé em Deus que ouve, vê e atende os clamores de seu povo. Já passaram por ali três bispos, e cada um a seu modo amou aquela Igreja particular. Homens de fé inquebrantável e de convicções definidas, que deram tudo de si ao rebanho a eles confiado.

Hoje a cátedra será ocupada por um novo bispo com a posse de Dom José Ionilton. Há quinze dias atrás ele foi ordenado bispo na Bahia, sua terra natal, e assim entrou na sucessão apostólica tornando-se apto para a missão. Missão que ele aceitou como chamado de Deus através da Igreja, que tem seu jeito de escolher os bispos. Mas uma coisa é certa, ninguém se faz bispo por si mesmo, é sempre um chamado e um envio. Mas é também acolhida. Impressionante como logo após ser anunciado o bispo já é amado pelo povo. Sabem que este homem, limitado, com defeitos e pecados os ama e por isto está nesta posição. Pobre do bispo que não amar o seu povo. As honras e as alegrias da festa passarão rapidamente e a realidade dura da vida se imporá.

Se houver amor o jugo será suave e o fardo leve. O bispo não está sozinho na sua tarefa de conduzir o rebanho. Seus primeiros colaboradores são os presbíteros, e os outros bispos com os quais forma um colégio. Quanto maior for a comunhão dentro deste corpo apostólico maior será a chance de uma evangelização eficaz e de um pastoreio profícuo. Louvado seja Deus que nos concede a bênção de um novo bispo.  A cátedra não está mais vazia. Temos um novo pastor em Itacoatiara, Dom José Ionilton.

 

ARTIGO DE D. SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL:  AMAZONAS EM TEMPO
Data de Publicação: 30.07.2017



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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