Arquidiocese de Manaus
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Dia dos migrantes

Alguém disse que os migrantes são os últimos que chegaram. De fato, somos todos descendentes de migrantes e o fenômeno da migração existe desde que o mundo é mundo. Nos impressionamos com a chegada dos índios venezuelanos à Manaus e a dificuldade do governo em estabelecer um plano de ação efetivo. Assistimos a mobilização da sociedade civil e da Igreja numa ação imediata e generosa. Ouvimos comentários preconceituosos que beiram o racismo. E vem o historiador nos lembrar que Manaus já viveu situações semelhantes a essa, em especial quando nordestinos fugindo da seca chegavam em grande número a cidade, que acolheu gente do mundo inteiro nesta história ainda curta se comparada a outras regiões do planeta. Com certeza muitos povos e grupos humanos singraram as águas dos rios que pela sua vastidão e comprimento possibilitavam a migração e o encontro de diferentes povos e suas culturas milenares.

As razões das andanças são muitas. A guerra e a violência é uma delas, a fome e a miséria também levam multidões a deixar a sua pátria e partir para lugares distantes e desconhecidos. Fenômenos naturais como terremotos, inundações, secas prolongadas também são causa de deslocamento de populações inteiras. Além dos migrantes econômicos criou-se a figura do refugiado político. Guerras como a da Síria produzem cenas impressionantes de gente chegando a países que fecham as fronteiras, mas também dão guarida. Multiplicam-se campos de refugiados ao redor de países onde a guerra parece não ter fim. As cenas de pessoas tentando atravessar o mar Mediterrâneo para chegar a Europa, numa viagem em que muitos encontraram a morte já não chocam de tão corriqueiras. Os indivíduos com suas histórias pessoais se transformaram em números. Os que poderiam parar as guerras cessando o fornecimento de armas não o fazem, continuando o grande sacrifício humano ao deus mercado.

Migrar é um direito humano, as fronteiras são sempre artificiais, e só tem sentido se forem para proteger a vida dos mais fracos. Acolher o migrante é uma atitude humana fundamental. A hospitalidade é uma virtude louvável em todas as grandes tradições religiosas e no cristianismo a acolhida do estrangeiro é elevada à condição de experiência de encontro com o próprio Cristo, Verbo de Deus que se fez carne e habitou entre nós. A Igreja se organiza para acolher os migrantes nas situações de urgência. Não se pode esperar a ação governamental imediata. Mas depois deve entrar a ação do Estado com documentação, alojamento, busca de trabalho, saúde, educação para as crianças.

Os migrantes não devem ser vistos só como problema mas como pessoas que chegam para somar. Trazem consigo riquezas culturais que podem ser integradas, conhecimentos profissionais e técnicos, experiências religiosas diferentes, e também são consumidores potenciais. Sentar com eles, escutar seus sonhos, partilhar a vida transformá-los em parceiros e cidadãos enriquece a sociedade que os recebe. Tratá-los mal é criar ressentimentos que se transformam em violência. Seremos todos mais humanos acolhendo e sendo acolhidos.

 

ARTIGO DE D. SERGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL:  AMAZONAS EM TEMPO
Data de Publicação: 25.06.2017



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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