Arquidiocese de Manaus
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Assembleia Geral

 

Desde quarta-feira os bispos católicos do Brasil estão reunidos em Assembleia Geral. Ela dura dez dias e vai até sexta feira. De uns anos para cá a CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, tem suas reuniões anuais em Aparecida, embora sua sede seja em Brasília. O grande santuário que se ergueu às margens do rio Parnaíba, ao lado da rodovia Presidente Dutra, a meio caminho entre São Paulo e Rio, tornou-se o ponto de referência do catolicismo brasileiro. Há trezentos anos, a pequena imagem carinhosamente chamada de Aparecida é sinal da ternura divina em meio as turbulências da História. Neste lugar carregado de devoção e esperança os pastores da igreja católica procurarão discernir para onde o Espírito quer conduzir o Povo de Deus. A pauta é sempre muito intensa porque todos querem espaço para falar neste colegiado que vem de todo Brasil. Analisando a conjuntura nacional, o que não é fácil, sobretudo quando se quer ser imparcial, dirão uma palavra de conforto e de ânimo. Esperamos que com a coragem já demonstrada em outras ocasiões saibam ser profetas. A CNBB nunca se furtou de dar a sua visão dos acontecimentos, mesmo quando não há unanimidade entre os bispos.

Comunhão e unidade existem sempre, pois isto faz parte da natureza da Igreja. Não é por acaso e nem por razões protocolares que os trabalhos de cada dia começam com a celebração da Eucaristia, fonte e ponto de chegada de toda vida cristã. Durante o dia são muitos os momentos de oração. No sábado à tarde e no domingo de manhã os participantes são convidados a se recolherem no silêncio de um retiro espiritual. O tema central deste ano é a Iniciação a Vida Cristã. Já há tempo esta tem sido uma preocupação de todos os implicados na catequese, mas não só. Também os liturgistas, os educadores populares, os teólogos, enfim, todos os que tem alguma responsabilidade com a transmissão e a vivência da fé se perguntam como fazer que este processo seja eficaz.

A catequese já se renovou profundamente, tornando central o anúncio da Palavra, levando os catequisados a um experiência de comunidade, procurando fazer com que vivam a missão e comprometam-se com a vida pastoral. A reforma litúrgica também marcou a vida dos fiéis depois do Concílio, colocando a celebração do Mistério Pascal no centro dos ritos e rituais. As pastorais sociais são espaços de compromisso com o reino de Deus. Mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. Queremos voltar a experiência do catecumenato com suas etapas, seus rituais, suas exigências progressivas de conversão e mudança de vida. Numa sociedade em que a Igreja católica e o próprio cristianismo não são mais hegemônicos, cada vez mais será necessário ter estruturas de acolhida de jovens e adultos que tendo um encontro pessoal com o Cristo necessitarão guias para trilhar a nova vida que escolheram. Nem mesmo nas famílias se transmite a fé. Outros temas de grande atualidade ocupam os bispos nestes dias. Evangelização da juventude, Amazônia, situação dos povos indígenas, são alguns que mais nos tocam. Sob o olhar da Mãe Aparecida, nas alegrias do tempo pascal a Igreja vive o mistério de Pentecostes.

MATÉRIA DE D. SÉRGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus

JORNAL: EM TEMPO

Data de Publicação: 30.4.2017


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