Arquidiocese de Manaus
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Igreja de Manaus realiza ação para dar assistência aos índios venezuelanos que migraram para Manaus

Diante a situação de extrema miséria vivida pelos indígenas da etnia Warao, do nordeste da Venezuela, que migraram recentemente para Manaus em busca de sobrevivência, a Cáritas de Manaus em parceria com a Catedral Metropolitana, Pastoral do Migrante, Faculdade de Medicina e de Enfermagem da Universidade do Estado do Amazonas (UEA)e membros da Igreja Presbiteriana realizaram no último dia 15 de abril, vésperá da Páscoa, uma ação de assistência às 35 famílias que se abrigam em casarões do centro de Manaus e passam por inúmeras dificuldades e enfrentam sérios problemas de saúde.

Segundo o padre Hudson Ribeiro, no dia 2 de abril, um grupo de índios da etnia Warao procurou a Catedral Metropolitana, na missa das 18h, solicitando ajuda. Estavam com fome, com necessidades de roupas, calçados, de dinheiro para pagar os quartos onde estão morando, e de atendimento médico. Eles também se mostraram temeroros de que o governo os mandassem embora para a Venezuela, de onde saíram para buscar sobrevivência. “Naquele dia haveria uma ação do Governo e da Prefeitura que conseguiram dois ônibus para enviar os indígenas que quisessem ir embora. Mas o Ministério Público entrou com uma ação impedindo o envio deles. Existe um grupo grande na rodoviária, cerca de 370 abrigados na rua. Um outro grupo está nas ruas do centro e morando em quatros dentro de casarões na Rua Quintino Bocaiuva e pagam cerca de 10 a 30 reais por pessoa, por dia, e por isso tem que ir pra rua mendigar para conseguir esse dinheiro”, afirmou o padre.

Diante do relato desses indígenas, no dia 4 de abril um grupo formado por padre Hudson, Sra. Nazaré (Pastoral da Saúde), Sra. Selma (Faculdade de Enfermagem da UEA) e o arcebispo metropolitano de Manaus, Dom Sergio Castriani, fez uma visita aos casarões para conhecer a situação deles. Lá identificaram que há um grande número de pessoas necessitadas de atendimento médico, em especial as crianças que tinham problemas de pele, catapora, conjuntivite, algumas com problemas pulmonares. Diante disso, a equipe acionou a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh).

Estão sendo realizadas algumas atividades também relacionadas a verificar quais os direitos fundamentais desse grupo de índios. Houve uma reunião com o Ministério Público Federal, com as instituições envolvidas para verificar o que pode ser feito, do ponto de vista legal e o Ministério determinou que o estado e o município apresentassem um plano de ação emergencial. A Cáritas solicitou um abrigo para eles e está acompanhando para que os direitos deles sejam garantidos.

Ação promove avaliação clínica com médicos voluntários

No dia 15, o grupo acompanhado pela Cáritas e Pastoral do Migrante esteve na Igreja dos Remédios para participar da ação que convocou um grupo de pediatras, clínicos gerais, enfermeiros e alunos de enfermagem para fazerem uma avaliação clínica nos indígenas venezuelanos. Na ocasião houve um almoço festivo oferecido pela Comunidade Católica Hallel, que preparou com muito carinho uma refeição nutritiva para as famílias que foram buscar alguma assistência. Também foram distribuídos para eles alguns donativos arrecadados.

No evento, havia crianças doentes e os de colo se encontravam em situação de maior vulnerabilidade. Dentre eles um bebê estava tão debilitado que, acompanhado de sua mãe, foi levado a um hospital para receber cuidados emergenciais.

“A partir do momento que tivermos um dado geral sobre a saúde da população que está sendo monitorada, vamos encaminhar um relatório às autoridades públicas locais, e ao Ministério Público. Os médicos estão fazendo o possível para dar encaminhamento ao tratamento com medicações de base que trouxeram para a ação e outros serão encaminhados ao Serviço de Pronto Atendimento (SPA)”, afirmou padre Hudson.

Para dar amparo legal à iniciativa de ajuda a essas famílias, a Clínica de Direitos Humanos e Povos Indígenas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), na pessoa da Dra. Silvia Loureiro, comprometeu-se em dar a assessoria necessária para que a equipe de voluntários compreenda melhor o que a legislação de povos indígenas prevê para essa situação a fim de estarem respaudados em suas ações junto a esse grupo que migrou. “Essa é uma ação muito complexa e do ponto de vista humanitário, nós não podemos nos esquecer, principalmente nesse período pascal, do que Jesus disse: Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, fui estrangeiro e tu me acolheste em tua casa. Não podemos fazer qualquer coisa. Temos que estar respaudados, no ponto de vista legal, e envolver as pessoas de bem e as outras instituições para que de fato haja uma ação efetiva e eficaz. Nós como cristãos católicos temos que tomar a frente disso tudo”, ressaltou o padre Hudson.

No dia da visita aos atuais abrigos, Dom Sérgio afirmou que a Igreja não pode dormir tranquila diante do drama desses indígenas nas ruas do centro da cidade. Ao presenciar a situação destas famílias, a Arquidiocese liberou um recurso para prover as necessidades imediatas, que ajudam a dar início às ações da Cáritas junto às 168 pessoas monitoradas, cerca de 35 famílias.

 



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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