Arquidiocese de Manaus
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Homenagem

Domingo que vem, de madrugada, uma das escolas de samba de nossa cidade prestará uma homenagem à Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. A escola e o bairro já há muitos anos tem o nome da mãe de Jesus. Neste ano se comemoram os trezentos anos de devoção em torno da pequena imagem de madeira que foi encontrada durante uma pescaria no rio Parnaíba, interior do Estado de São Paulo, a meio caminho entre as duas maiores metrópoles do país. Milhões de peregrinos se dirigem todos os anos à casa da mãe e pelo país afora ela é invocada como mãe e protetora.

Para a Igreja católica este ano é um ano mariano e os fiéis são convidados a expressar seu amor a mãe de Deus, mas sobretudo a seguir seus passos no caminho de Jesus. A dimensão mariana da fé é fundamental para o catolicismo. Ela é a mãe que nos foi dada no momento dramático do encontro entre a tragédia do pecado e a graça que tudo supera, que se deu na Cruz. Ela foi dócil ao Espírito Santo que gerou em seu seio o Filho e que em Pentecostes geraria a Igreja. Ela reconheceu a ação de Deus na sua vida e cantou agradecida as maravilhas que o Senhor realizara na História do seu povo. Imaculada ela é figura da humanidade renovada em Cristo, ideal a ser atingido por todos.

Mãe de todos, mesmo dos que não a reconhecem, ela tem sido cantada de geração em geração. Maria é fonte de inspiração para todas as artes. Quantos quadros retratam a Anunciação do Anjo? E a maravilha tirada da pedra na Pietá de Michelangelo? Quantas vezes nos emocionamos com a Ave Maria? Peças teatrais, filmes contam a história da virgem de Nazaré, a noiva de José. Não devemos nos admirar e nem nos espantarmos se uma escola de Samba faz um samba, enredo belíssimo, contando a presença de Maria na história do Brasil, monta carros alegóricos e faz fantasias para apresentar um espetáculo digno da homenageada. Tudo isto em ritmo de carnaval, esta grande festa popular.

Carnaval muitas vezes e para muita gente é sinônimo de pecado e de excessos. Pode ser. Mas a grande maioria dos brincantes e tenho certeza quando se trata das escolas de samba da nossa cidade, só quer se divertir dando um grande sim à vida. É provável que alguns dos filhos de Maria fiquem enciumados por terem se apropriado da imagem da Mãe, e possam até pensar em profanação de algo sagrado. Mas penso que a maioria se emocionará ao ver a imagem peregrina da mãe humilde e pequena sendo alvo de tanto carinho e devoção.

Nossa nação nasceu sob o olhar doce e terno de Nossa Senhora dos Navegantes, de Nazaré, dos Remédios, das Mercês, das Graças. As diferentes imagens nos oratórios das casas e das igrejas lembravam que nunca estamos sozinhos neste vale de lágrimas. As imagens de Nossa Senhora das Dores nos lembram a mãe que sofre com o Filho Amado. Uma imagem não é nada mais que uma imagem, mas o que ela simboliza e representa enche o coração e fala diretamente à alma. Que a alegria do carnaval se misture com a felicidade da fé e transforme os nossos corações enchendo-os de esperança num mundo melhor. Que a verdadeira festa nunca acabe e um dia sejamos recebidos na eternidade por aquela que elegemos nossa Rainha.

ARTIGO DE D. SÉRGIO EDUARDO CASTRIANI – Arcebispo Metropolitano de Manaus
JORNAL: EM TEMPO
Data de Publicação: 19.02.2017



Por: Arthur Amorim

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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