Arquidiocese de Manaus
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Pastoral Carcerária realiza encontro com coordenação nacional e famílias dos mortos nas rebeliões

Na manhã desta terça-feira (10/1), o auditório Mãe Paula, localizado nas dependências do Centro de Formação da Arquidiocese de Manaus (Cefam), foi palco de um encontro que reuniu o padre Valdir Silveira, coordenador nacional da Pastoral Carcerária; o deputado padre João Siqueira (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) e Minorias da Câmara Federal; Marcos Fuchs, membro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária; José Ricardo, presidente da CDH da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam); padre Geraldo Bendaham, coordenador de pastoral da Arquidiocese de Manaus; além de representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e órgãos que trabalham com Direitos Humanos, como, Justiça Global e Conectas.

A reunião foi promovida pela Arquidiocese de Manaus, por meio da Pastoral Carcerária Arquidiocesana, que colocou todos esses órgãos frente a frente com os familiares dos detentos que foram mortos durante o massacre ocorrido nos presídios de Manaus, cuja repercussão negativa correu o mundo todo em virtude da violência e barbárie ocorrida. Durante o encontro, comandado pelo padre Valdir, os familiares fizeram vários relatos de como funciona o sistema prisional, contando em detalhes as dificuldades que os presos passavam dentro das prisões e dos alertas que fizeram várias vezes sobre a precariedade e falta de segurança da instituição, além de nenhuma apresentar o mínimo de condições de higiene e saúde para os detentos, principalmente para a grande maioria, que se amontoavam em celas minúsculas e superlotadas.

“Após ouvir o desabafo dos familiares das vítimas, a gente constata que há uma falência no sistema, é um modelo que não funciona, pois não consegue recuperar a pessoa. Há também uma certa falta de domínio de quem deveria ter o controle das unidades prisionais, isso é um fato assustador, ainda mais quando temos informações que o Ministério Público e o Judiciário tinham ciência de todo esse descontrole inclusive da presença de armas há anos. Temos também o relato de entidades que, em anos anteriores, fizeram visitas nos presídios e produziram relatórios com uma série de recomendações e as providências até hoje não foram tomadas. Percebemos aí uma omissão e certa cumplicidade de quem deveria fazer valer a lei”, comentou o padre João ao fazer sua avaliação do encontro.   “Tenho certeza que após o que foi debatido aqui hoje, teremos muitas tarefas que faremos em parceria com os órgãos públicos, a arquidiocese e pastorais sócias, com o objetivo de cuidar da vida”, completou o presidente da CDH.

Segundo o padre Geraldo, é preciso detectar as causas profundas que geram esse comportamento social, entre eles estão as políticas públicas e o modelo econômico. “Estamos diante de um problema nacional, aqui no estado nós estamos vivenciando as consequências da violência que gera uma insegurança causada de certa forma pelas políticas públicas que faltam investir mais em educação, saúde e moradia, atitudes que vão fazer mudar muita coisa na vida social, outra causa está no modelo capitalista que só visa ter lucro em tudo, querendo mais dinheiro custe o custar, mesmo que seja a vida, eliminando as pessoas de qualquer jeito. Por isso nós incentivamos uma cultura de paz, um gesto que já deve começar no seio da família, com respeito, diálogo, solidariedade, tolerância e muita responsabilidade com a vida”, comentou.

Para o padre Valdir, o encontro foi uma oportunidade de se solidarizar com as famílias das vítimas, além de chamar atenção daqueles que são responsáveis pelo massacre. “O nosso trabalho é tentar fazer a sociedade compreender melhor o que acontece no sistema prisional, pois às vezes o que temos são informações distorcidas, que só põem a culpa nos presos ou agentes penitenciários, porque aqui em Manaus não é um caso isolado, esse tipo de rebelião já está para acontecer em vários estados do Brasil. Por isso, estamos junto com as famílias daqueles que morreram, para coletar mais informações sobre esses direitos violados, falar, cobrar dos responsáveis e alertar antes que o mesmo aconteça em outros presídios. A culminância desse debate gerará uma denúncia junto aos organismos nacionais e internacionais para ver quais providências podem ser tomadas a partir dos relatórios enviados”, declarou.

A importância da Pastoral Carcerária

Ao final do encontro, foi realizada uma oração coletiva, pedindo pela paz nos presídios e em toda a sociedade, onde o padre Valdir agradeceu pelo trabalho realizado pela pastoral e lembrou que o filho de Deus também foi preso e torturado. “A nossa pastoral se baseia na própria vida de Jesus Cristo que também foi preso e abandonado. Por isso, que o Papa Francisco sempre que visita um país, ele visita um presídio, essa também é a nossa missão”, disse o padre Valdir que já está há 27 anos na Pastoral Carcerária.

Marluce da Costa, coordenadora da Pastoral Carcerária em Manaus, viu o encontro como uma forma de preocupação da sociedade com segurança publica e com o direito a vida e aproveitou para convocar mais pessoas para a missão pastoral. “Foi um encontro importante que reuniu representantes a nível nacional da politica, da igreja, e dos direitos humanos, isso mostra que devemos tomar uma atitude com relação àqueles irmãos que estão presos. Também não podemos esquecer que apesar da tensão e do medo, nosso trabalho continua e precisamos contar com a ajuda do povo de Deus para continuar nosso trabalho”, disse.

“Gostaria de parabenizar a pastoral carcerária local e a igreja daqui que organizaram esse encontro, estamos em contato desde quando começaram as notícias dos acontecimentos e da divulgação da nota que Dom Sérgio deu sobre os eventos ocorridos, nota essa que repercutiu nacional e internacionalmente a ponto de vários órgãos da imprensa internacional nos procurarem. Nesse momento de fragilidade nós temos que caminhar unidos para poder enfrentar todas essas questões e, no caso da Pastoral Carcerária, sabemos que são poucas pessoas, por isso é mais importante ainda unir as forças pois sabemos que não é fácil trabalhar dentro dessa realidade do sistema prisional”, agradeceu padre Valdir.

 

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Por: Érico Pena

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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