Arquidiocese de Manaus
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O Brasil continua matando seus filhos

Por Pe. Geraldo F. Bendaham

 

As informações publicadas no relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que o número de pessoas mortas, vítimas da violência, aumenta a cada ano no País. Os dados são alarmantes, parecidos com Países que estão em guerras declaradas. A cada 9 minutos uma vida é ceifada, eliminada pela violência. São homicídios dolosos, latrocínios e mortes provocadas por intervenção policial. São 160 pessoas por dia e 58.383 por ano.

A situação por si só é já alarmante, mas o relatório apresenta uma comparação de dados com as mortes ocorridas na guerra da Síria de 2011 a 2015, afirmando que o Brasil que não está em “guerra”, o número de mortes é muito superior. Enquanto na Síria, segundo a ONU, morreram 256.124, no Brasil no mesmo período morreram violentamente 278.839 pessoas.

Qual a origem de tantas mortes violentas em nosso País? As causas certamente são muitas. Sugiro algumas hipóteses: a falta de aplicação das Políticas Públicas é, sem dúvida, a grande causa que provoca milhares de mortes no Brasil. Um Estado fraco socialmente e ausente da vida das populações, sobretudo das mais frágeis, dá espaço para práticas violentas.

Não é um favor executar as Políticas Públicas em favor da sociedade. É um dever constitucional, e direito das pessoas. Por que ainda existem crianças, jovens e adultos fora da escola, visto que a educação é a única oportunidade que pode potencializar e desenvolver as pessoas como cidadão e cidadã a sonhar com um projeto de vida melhor?

Além desta causa principal, temos outras que também contribuem para a matança violenta do povo brasileiro, tais como a falta de sentido da própria existência e o modelo único econômico predatório, que põem as pessoas no círculo maldito de busca absoluta pelo dinheiro, mesmo que mate, engane, trafique, roube e se corrompa, para consegui-lo.
O modelo único econômico incentiva o desenvolvimento para o crescimento do bolo que nunca é repartido. É um crescimento ilusório para os pobres. Este modelo aumenta a exclusão de milhões e a ganancia pelo bolo de alguns opulentos, gerando um abismo social entre os semelhantes, provocando violência que gera a morte.
Para aumentar a desgraça, a polícia também mata. São mortas pela polícia no Brasil uma pessoa a cada hora 3 horas, totalizando 3.009 vítimas por ano. Lamentavelmente morre pelo menos um polícia por dia, vítima da violência urbana. Não esqueçamos que a polícia mata em nome do Estado!

Diante desta triste realidade se faz necessário cada pessoa manter a esperança através de pequenos gestos de paz nas relações pessoas, comunitárias e sociais. É possível deixar de agredir o próximo com palavras, atos e gestos. Mas é preciso que as instituições, principalmente o Estado, reveja a Política de Segurança Pública, pois nos últimos anos, segundo o relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil continua matando seus filhos. Isso é grave !

 

 


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