Arquidiocese de Manaus
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Relação entre judaísmo e cristianismo é tratada em seminário para seminaristas, religiosos e leigos

Voltar às fontes, às raízes judaicas para dar uma base adequada à leitura do Cristianismo e melhor compreensão da pessoa de Jesus e dos Evangelhos. Esta foi a proposta do Instituto de Teologia, Pastoral e Ensino Superior da Amazônia (Itepes) que promoveu o Seminário Talmud e Santos Padres: Judaísmos e Cristianismo – Diálogo com a escritura, realizado de 29 de agosto a 2 de setembro, pela manhã; e de 30 de agosto a 1 de setembro, à noite, no auditório do Itepes, com a assessoria da Congregação de Sion, através dos mestres em teologia Marivan Soares Ramos e frei Paulo Antônio Alves.

O Diretor do Itepes, padre Raimundo Vanthuy Neto, destacou que a importância de promover eventos como este é sempre voltar as fontes, às raízes judaicas a fim de que tenhamos base para uma melhor leitura do Cristianismo, melhor compreensão da pessoa de Jesus e dos Evangelhos. Para isso, foram enviadas para Manaus duas pessoas especialistas no assunto, de fora da região e muito conhecedores do tema abordado, ajudando os participantes (seminaristas, religiosos e leigos) a entender melhor as relações entre o judaísmo e cristianismo.

“Pedimos para que fosse uma experiência do Talmud, ou seja, dos escritos judaicos e dos cristãos dos santos padres, como eles se aproximaram e ao mesmo tempo se distanciaram, pois aconteceu uma certa ruptura entre os dois e assim surgiu uma segunda leitura do antigo ou primeiro testamento, a partir dos cristãos, porém a primeira leitura é a judaica. O seminário foi pensado primeiramente para os seminaristas, as mulheres que querem ser religiosas e os leigos, sendo que estes participaram mais no período da noite, e esta turma ultrapassou o número de 100 participantes. Pra mim é sempre uma alegria acolher no Itepes experiências que ajudem a alargar o conhecer, de modo especial, da Sagrada Escritura”, afirmou pe. Vanthuy.

A Arquidiocese de Manaus possui uma parceria de quatro anos com a Congregação de Sion, que garantem duas presenças intensivas por ano. Em 2016, no primeiro semestre, as irmãs Cristiane e Giovaneide aprofundaram uma leitura da carta aos hebreus e as cartas católicas. Nesse segundo semestre, Frei Paulo e o Sr. Marivan fizeram a relação entre Judaímo e Cristianismo.

Marivan, Coordenador do Centro Cristão de Estudos Judaicos, uma casa mantida pelos religiosos de Sion, em São Paulo, afirmou que o foco foi falar da relação entre Igreja e Sinagoga, Patrística e Talmud, um diálogo a partir das escrituras. “O projeto que acontece em Manaus chama-se “Migrando o Carisma”, onde Sion quer trazer seu carisma que consiste em tentar aproximar o judaísmo do cristianismo, a partir do estudo das escrituras, exatamente aquilo que nos pede a Declaração Nostra Aetate, sobre a Igreja e as Religiões não-cristãs, escrita no Concílio Vaticano II (outubro de 1965). Hoje a Igreja tem esse estímulo e esse esforço para se aproximar do judaísmo, não só no meio acadêmico, mas que isso também vá para a prática. Esse ano foi importante a visita do Papa Francisco, em Roma, na sinagoga, fazendo uma homilia muito importante, e retomando um discurso próprio de seus antecessores, como do Papa São João Paulo II que chamou os judeus de nossos irmãos mais velhos”. Essa é a nossa proposta é também tirar o preconceito de alguns e sobretudo compreender a nossa fé a partir do berço em que ela nasceu, pois ela nasceu dentro do judaísmo”, afirmou Marivan.

Na ocasião, frei Paulo fez uma associação entre os Rabis de Israel e a Patrística (padres da Igreja), fazendo um intercambio através das leituras, de que maneira os padres interpretavam a Bíblia, a partir das regras rabínicas, dos sábios de Israel, sempre presente nas escolas de Alexandria e Antioquia. Em seguida, Marivan mostrou o momento que se deu a separação da Igreja e Sinagoga, que nem sempre foi violenta e traumática, mas que foi se consolidando pouco a pouco na história, de forma tranquila e harmoniosa.

Por Ana Paula Gioia Lourenço
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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