Arquidiocese de Manaus
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A fome de água na Amazônia

Por: Pe. Geraldo F. Bendaham
A fome de água potável na casa das famílias da região Amazônica é uma realidade. Não basta sermos a maior região do Brasil em abundância de água. É preciso termos acesso a água potável de qualidade em todas as casas da cidade e interior da região Norte.

A falta de acesso a água potável é tão grave em nossa região que o governo federal, através do Ministério do Desenvolvimento Social em parceria com várias entidades e governos da região, está implantando no Norte tecnologias sociais para garantir água potável na Amazônia.

Somente no Pará o Governo Federal pretende gastar R$ 4,2 milhões para atender 800 mil famílias em nove municípios que não tem acesso a água potável de qualidade.

Serão atendidas também 500 famílias no Acre, 670 no Amazonas e no Amapá mais 500 famílias, totalizando um gasto de R$ 3 milhões.
Sabe-se que este projeto é para beneficiar famílias pobres de baixa renda que não tem como pagar pela água.
O mais ridículo deste projeto para Amazônia é que as famílias pobres vão beber água da chuva, enquanto olham para os rios e igarapés da Amazônia, abundantes em água. O projeto será implantado para captar água da chuva para o consumo e uso doméstico.

Como é de práxis não sabemos se fato os recursos chegarão aos destinatários e se os projetos serão realizados na totalidade a serviço dos que estão com fome de água potável.

O acesso básico à água é um direito fundamental político, econômico e social para os indivíduos e a coletividade, já que a segurança biológica, econômica e social de todos os seres humanos e de todas as comunidades humanas depende do gozo desse direito.

A água é um assunto urgente e que requer atenção.

Há hoje uma forte tensão entre aqueles que defendem que a água é um bem fundamental para a vida e um direito da humanidade. Outros, representam os interesses econômicos de grandes corporações capitalistas e acham que tudo pode ser comercializado. Os defensores da água como patrimônio comum são os movimentos sociais e as ong’s, as igrejas, que continuam como movimentos de resistências às consequências da economia neoliberal capitalista globalizada.

O sistema capitalista é predatório quando visa o lucro, por isso quer fazer da água um comércio sem fronteiras a exemplo de outros produtos. A intenção das grandes corporações é chegar a privatização total e plena do uso da água. No momento a água já é comercializada em pequena escala, com o controle do Estado. A luta para afirmar que a água não é mercadoria, contrapõe o interesse do mercado financeiro. As consequências da falta de água na vida de milhões de pessoas já é uma realidade que compromete o presente e o futuro das gerações.

Olhando para o contexto amazônico, parece um paradoxo afirmar que não há água para todos. Não é nenhuma especulação, é um fato real a falta ou a fome de água potável nas cidades da Amazônia.

Por padre Geraldo Ferreira Bendaham



Por: Ana Paula Gioia Lourenço

Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Manaus



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